Este Blog...

É fruto da maneira como vejo o mundo. Aceitam-se discordâncias e divergências, sempre dentro de uma lógica de boas maneiras, claro!

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Friday, March 12, 2010

I'm a Rock Star, Baby!

Rock Star é um conceito na moda há décadas. É um conceito ilusório de estrelato, realização e glamour difícil de explicar. Um conceito perseguido por milhares, apesar das histórias trágico-glamorosas que pontuam as estrelas que conhecemos. A realidade é que a maior parte de nós vive com a ilusão de um dia atingir esse conceito de imortalidade que caracteriza o estrelato. Uma imortalidade que nos leva a vivermos para lá da nossa existência terrena, mas que também nos leva a um sítio onde a nossa própria vivência terrestre se torna quase que intocável - ninguém nos 'toca', ninguém consegue chegar até nós. O porquê disto é uma pergunta a que poucos conseguiriam responder. Fama, dinheiro, sexo ou exposição mediática poderiam ser razões aparentes, mas não estou convencido que sejam a explicação de tudo. Por isso, entremos no mundo rock star...


Que desejo secreto é este?

Em primeiro lugar é um desejo de reconhecimento. Faz parte da nossa natureza. Nós, seres humanos, lutamos para sermos reconhecidos naquilo que fazemos, atingimos o ponto máximo da nossa existência quando alguém nos aponta como 'bons, excelentes, ou fantásticos' a fazer isto ou aquilo. O homem é um animal que precisa de reconhecimento, e precisa dele como se de pão para a boca se tratasse. Se eu faço x, então espero o reconhecimento y. Se eu faço bem, espero que haja reconhecimento nisso, e se for reconhecimento público, tanto melhor. E isso leva-nos ao segundo ponto...


É o nosso desejo de sermos superiores que vem ao de cima. Ao sermos reconhecidos publicamente, estamos a ser elevados sobre alguém, estamos a ser colocados em posição superior a a, b ou c. E isso faz-nos sentir tão bem...faz-nos sentir tão superiores. E vicia-nos. Após sermos reconhecidos publicamente, passamos a esperar secretamente que, sempre que há um reconhecimento, ele seja direccionado a nós, mesmo que até saibamos que houve quem fizesse mais que nós. Estranho? Nem por isso...


E a estranheza disto dilui-se numa simples razão: nós somos competitivos! Por mais que neguemos esse facto, só estamos bem em competição. Pela melhor piada, pelo melhor carro, pela melhor casa, pelo melhor emprego, pelo melhor ordenado. E pensamos que quem não pensa assim deve ser atrasado ou coisa que o valha! Gostamos de competição. Mais! Nós precisamos de competição! É por isso que produzimos mais e melhor quando temos quem esteja a fazer o mesmo trabalho. É o desejo secreto de batermos o nosso concorrente a trabalhar...


E a culpa talvez seja das luzes, essas marotas que nos fazem pensar que somos mais importantes do que o que somos na realidade, essas luzes que nos enganam e fazem de nós as rock stars que nunca fomos. E é essa ambição descarada de nos tornamos imortais, não no que fazemos, mas no nosso nome, que nos impele de forma tão gananciosa a procurar tal desiderato. Que fique claro: cada um de nós deve deixar uma marca que perdure, pelo bem, para lá da nossa vida. Mas que o que perdure seja a nossa obra e não o nosso nome. Se este perdurar no tempo, então que seja pela nossa obra, nada mais. Não deixemos que a 'bebedeira' de luzes nos encha o ego, sob pena de a 'ressaca' da nossa pseudo exposição (que, na maior parte das vezes, é irrelevante, convenhamos...) seja terrívelmente dolorosa.


E a culpa é (deixemos o talvez de lado) dessa ideia miticamente mística de que quanto mais inatingíveis estivermos, melhores somos, de que quanto menos do 'povo', mais importantes nos tornamos. Au contraire. Quanto mais próximos, chegados e dados às pessoas estivermos, mais perto dos seus problemas, anseios e motivações estaremos. Quanto mais próximos, chegados e dados às pessoas estivermos, mais próximos estaremos da solução. E todos sabemos que o mundo anda à procura de solução desde que se inventou. 

Por isso, políticos, líderes, responsáveis, chefes e afins...próximos das 'gentes', do 'povo', das pessoas...ok?

Friday, February 12, 2010

Mais Que Música 2010! Muito boas notícias...

Monday, February 1, 2010

Os cristianizadores morais compulsivos

É bonito e quase comovente. Reproduzem-se como se não houvesse amanhã. São o contrário da gente relevante acerca da qual ainda ontem falou o meu ‘patrão’ e amigo Mário Rui Boto. Chamar-lhes cristãos é elogioso, atendendo à sua conduta de comportamento. Não, não estou a falar dos homicidas, nem dos homossexuais, nem dos ateus. Estou a falar de uma raça crescente e assustadora. Há quem lhes chame fariseus. Há quem lhes chame moralizadores. Há quem lhes chame falsos. Há quem diga que são necessários. Eu prefiro chamar-lhes os cristianizadores morais compulsivos da sociedade.

Especialistas na análise de tudo o que se passa à volta, sabem ler e compreender todas as atitudes dos outros, fazendo sempre a sua crítica ‘construtiva’, fruto de uma leitura cristã ‘séria e independente’. Vêem tudo e todos como ninguém, lendo todos os sinais de decadência moral em que este mundo está a entrar. São particularmente especialistas nas questões morais do indivíduo, comentando cada acção menos feliz com uma superiodade própria de alguém a quem a santidade assenta que nem uma luva. Tudo é vergonha. Tudo é desgraça. Tudo é decadência moral. Nada é óptimo. Caminhamos decisivamente para o maior dos males.

Estes moralizadores gostam especialmente de sangue. Tudo o que soe a queda, tudo o que soe a erro crasso de alguém, tudo o que soe a ‘derramamento de sangue’ (sempre ‘espiritualmente falando’) tem a sua atenção e a sua intervenção. Comparo-as àquela malta que aparece nos acidentes de viação, aqueles grandes. Há pessoas a morrer ali naquela altura, mas a sua preocupação está virada para quem teve a culpa, quem errou, quem falhou, como se os paramédicos tivessem isso em consideração aquando do tratamento dos feridos.

Estes moralizadores tendem a transformar a igreja em não, tendem a levar a igreja para um ponto de isolamento da sociedade, porque consideram a mesma demasiado impura para poder albergar a mesma. Estes moralizadores apenas se contentam quando a igreja se torna um clube de seres moralmente superiores, deslocados da sociedade por evidente capacidade superior. O seu sonho é quase o mesma da maçonaria: um circuito fechado e iluminado de gente acima de toda a suspeita. Uau!

É tempo de aqueles que são cristãos (seguidores de Cristo) se levantarem, não contra estes moralizadores, mas a favor de uma sociedade que precisa do Evangelho hoje mais do que ontem, e amanhã mais do que hoje. A última coisa de que precisamos é de quem aponta os problemas, as falhas, os erros. Precisamos de mãos que levantem a mulher adúltera, precisamos de palavra para falar com a mulher samaritana, precisamos de braços que abracem o filho pródigo, precisamos da atenção do bom samaritano para com o próximo. Não precisamos de quem diga que eles estão mal. Disso eles sabem. Todos sabem. Do que precisamos é de mais de Cristo e menos desta amálgama pseudo-moralizadora em que muito querem tornar a Igreja.

Monday, January 25, 2010

São três dias

‘São só três dias, senhor!’, exclamava aquele homem, num tom esbaforido e quase sem fôlego. Eu olhava para ele e pensava no quão irreal era aquela previsão. Afinal, quais seriam as hipóteses de, daqui a três dias, tal acontecimento de dimensão superior, acontecer? Poucas, pensava eu, mas o homem teimava, ‘três dias, senhor, três dias! Espere só mais três dias…’
Eu continuava a pensar que três dias era muito tempo. Tudo o que ultrapassa as três horas causa-me logo náuseas, quanto mais três dias. Raios! E logo agora que estava tudo tão bem encaminhado. Disse-lhe um ‘já volto’ frio e evasivo, na esperança de que ele próprio se deixasse daquela gritaria e daquela ideia. Tinha mais que fazer (frase que norteia toda a minha vida) e aquilo já se inseria no que eu habitualmente designaria de ‘palhaçada’.
Esperar três dias por uma coisa que nem sei se viria a acontecer, nem que hipotéticos resultados teria? ‘Não, nem pensar’, era o que me passava pela cabeça. Afinal, 'tenho dinheiro, estou bem na vida, gosto de tudo JÁ, e esperar nunca foi o meu forte. A minha assitente já sabe como é. É tudo hoje, agora, e às vezes, ontem! Não tenho tempo, nem paciência, nem quero esperar nem um, nem dois, quanto mais três dias! Isto comigo é tudo a andar e sem paragens, é a aviar cartucho’ pensava eu, como que a relembrar-me a mim mesmo como funciono.
Estava eu no meio do meu brainstorming de auto-elevação, quando um pequeno calafrio, pequeno mesmo, me passou pela área a que carinhosamente chamamos ‘espinha’. Corrente de ar? Ar condicionado? Olhei à volta e nada disso. Já sabia o que era. E quase que me chateei com isso. Era ‘aquela’ sensação que me ia obrigar a ir contra o que tinha acabado de pensar, a seguir o chamado ‘feeling’. ‘Raios!’ exclamei, como se estivesse destinado e automaticamente obrigado a ler e a cumprir aquilo que o tal de ‘feeling’ me tinha designado.
Virei a esquina e lá estava o tal homem. Antes que aquela cantilena começasse outra vez (o facto de eu lhe dar os três dias não significava que eu o quisesse ouvir de novo…) levantei o braço direito no ar, num sinal de ‘pare’, e avancei para ele, decidido e seguro. ‘Três dias, nem mais um’, disse-lhe eu com aquela voz de mau que tão bem sei fazer, ‘nem mais um’. O homem disse-me, então, um feliz mas tímido ‘não se vai arrepender, senhor’ que eu só dias depois compreenderia.
Mal sabia eu que, aos três dias, a minha vida iria mudar. Para sempre…

Thursday, January 21, 2010

Reescrevendo 'Os que da lei da morte se libertam'

Reescrevo porque repensei e reflecti.

O post 'Os que da lei da morte se libertam' foi escrito tendo como ponto de partida o falecimento da minha avô Luísa. Alguns saberão que ela passou os últimos 28 anos num estado provocado por acidente grave de viação, que a atirou para uma cadeira de rodas, ao mesmo tempo que toldou boa parte das suas capacidade mentais. Com base nisso escrevi (e pensei!) que a grande mágoa que teria era de não a poder ter conhecido verdadeiramente, antes desse acidente. Mas hoje escrevo diferente, e passo a explicar porquê.

Desde miúdo que me habituei a ouvir relatos da vida da minha avóantes do acidente, contados por gente que ela conhecia, amava ou, de alguma outra forma, influenciou. Ouvi n relatos diferentes, de gente diferente, que conviveu com ela em momentos diferentes. Todos esses relatos convergem num ponto-chave comum. A minha avó amava as pessoas, amava estar com elas, preocupava-se com elas e queria estar no meio delas. Ajudava, acompanhava, aconselhava, dava a mão, levantava, mobilizava. Tinha tempo para a Igreja, para a família, e para as pessoas, nunca descurando nenhuma destas áreas.

É por isso que eu reescrevo. Guardei da minha avó uma coisa simples, mas de importância incalculável. O amor pelas pessoas. O interesse pelas pessoas. O foco nas pessoas. As pessoas é o que de mais importante há neste mundo. Cristo veio pelas pessoas. E eu gostaria de também ser reconhecido por essa característica. E é por isso que reescrevo. Porque, sem que provavelmente ela tenha tido consciência disto, a minha avó ensinou-me o quão importantes são as pessoas. Sem elas, nem correrias, nem edifícios, nem projectos, nem reuniões importam. Importam, isso sim, as pessoas. E é por elas que sigo o exemplo da avó que eu não conheci, mas da qual ouvi falar. Porque as tuas obras continuaram e continuarão a falar mesmo depois da tua morte...