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É fruto da maneira como vejo o mundo. Aceitam-se discordâncias e divergências, sempre dentro de uma lógica de boas maneiras, claro!

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Wednesday, April 14, 2010

A vã glória de corrigir sendo corrigido

Titulo estranho e poético. Eu sei, foi essa a ideia. Ao mesmo tempo que fiz um título engraçado, consegi que ele tivesse sentido, isto tendo em conta aquilo que vou escrever a seguir...nada mau, nada mau, mesmo!

Nenhum de nós pode dar-se ao luxo de dizer que não precisa de ser corrigido. Mesmo orgulhosos, sabemos lá no fundo que temos que mudar uma ou outra coisa (mas alguns dizem logo 'não mais do que isso!) para que a nossa vida seja maior e para que o nosso futuro seja mais risonho. Ao mesmo tempo, a correcção é das coisas com que lidamos pior. Não seria estranho se a correcção não fosse o que é na realidade: a aceitação do que fizemos ou somos de menos bom, e o assumir como irremediável uma coisa chamada mudança...ouch!

Há que perceber que somos uma contante mutação, e que quem pára não morre, é um facto, mas torna-se um mero peão, sem infuência, sem capacidade de adaptação. sem capacidade de sobrevivênca no médio/longo prazo. É a aceitação da correcção e a consequente mudança que nos torna capazes de nos melhorarmos a nós próprios, regenerando a nossa maneira de pensar, de agir, de ver, de viver. Em suma, diz-me o quanto és capaz de ser corrigido, e eu dir-te-ei quão longe chegarás...

Há que encontrar o equilíbrio fundamental entre a firmeza e mudança. Muitos confundem a segunda com incapacidade de ser firmes numa determinada decisão. Costumo dizer que, se me provarem por a+b que a opção que me apresentam é melhor que a minha, então só se for burro é que não a levo em consideração. Por outro lado, mudar de decisão sem estar certo de que se muda para melhor, é, isso sim, falta de firmeza. Esta capacidade de reconhecer nos outros as ideias melhores que as nossas é das melhores coisas de um líder. É ele que decide, sim. Mas nada como termos uma liderança que decide o melhor, não olhando à(s)cara(s) ou ao(s) nome(s) por detrás de determinada ideia.

Precisamos de ser mais inteligentes perante a correcção. Afinal, se for justa, ela vem para nosso bem e crescimento. Vem para que mudemos o nosso interior e as nossas acções para melhor. Só alguém muito inseguro é capaz de ver na correcção uma punição ou um castigo. Até o pode parecer à primeira vista. Mas se olharmos para lá do nevoeiro, obteremos, como sempre que vemos as coisas dessa maneira, a imagem fiel do que ela representa: uma oportunidade de crescimento e mudança para um futuro melhor e mais brilhante.

Quem corrige ama, e quem ama corrige, é uma frase que tem grande fundo de verdade. Mal de alguém que me seja próximo quando eu me torno indiferente aos seus erros, é sinal de indiferença. E sabem qual o contrário desse tal senhor que corrige? Pois, é isso mesmo...

Tuesday, April 6, 2010

As voltas do criativo

Não importam as voltas que damos. Não importa todo o trabalho em que estamos embrenhados, nem toda a bulícia do dia-a-dia. Não importa o quanto estamos ocupados, ou o quanto andamos cansados, ou o quanto queremos compor ou desenhar ou criar. O que importa é que recebemos uma chamada. E é da nossa casa! Quer que regressemos àquilo que realmente interessa...

E o que interessa realmente? É o porquê. Quando perdermos a noção do porquê, perderemos tudo, porque sem o porquê, nada faz sentido. É demasiado fácil perdermos o porquê, a razão, o centro das coisas. O deslumbramento talvez seja o culpado, embora também seja fácil culpar o excessivo trabalho. Mas não, é o deslumbramento que se assume como o principal responsável pela perda da identidade central e fulcral do papel do criativo...porquê?

Porque no dia em que criarmos algo do 'nosso tamanho', perdemos a magia da criatividade, do criar. A ambição de todo o criativo, é criar algo maior que ele próprio, que perdure, seja uma música, um filme ou uma obra de arte de outra estirpe. É essa a maior e mais bela ambição do criativo. E isso obriga-nos a procurar uma 'musa' maior do que nós mesmos, um ponto de inspiração que nos ultrapasse, e que permita que a criação seja maior e mais bela que o criador. Ora, só é possível tal desígnio se a nossa 'musa' for a fonte suprema de inspiração, infinito quer no flow in, quer no flow out, e que constantemente nos desafia e ultrapassa os limites da nossa imaginação, do nosso pensamento criativo. E por mais que tente dar voltas para encontrar a melhor e mais completa musa, eis que dou por mim a regressar ao mesmo ponto de inspiração...

Porque no dia em que formos incapazes de reflectir a essência da criatividade, seremos incapazes de criar. E o que é a essência da criatividade? Despirmo-nos do que já existe e reinventarmos aquilo que pensávamos já estar inventado. Parece difícil, e é-o, na realidade. Temos de nos desformatar daquilo que já há está formado na nossa cabeça, sob pena de sempre voltarmos à mesma forma. E sé é suposto voltarmos à mesma musa, é contra o voltarmos à mesma forma que os criativos lutam dia após dia. Há que desligar do como foi feito ontem, e do como é feito hoje, ser criativo é fazer a ligação com o como será feito amanhã. É reencontrar esta essência da criatividade, que nos faz desesperar por moldar o futuro. Isso é criatividade! É desfazer, desformatar, desmontar, para que seja possível criar, construir, consubstanciar o que ainda não foi feito...

Porque criar é trazer o futuro para hoje. É isso que criamos, o futuro. É pegar naquilo que gostaríamos que fosse feito amanhã, e fazê-lo hoje, de uma maneira que nunca o mundo pôde antes ver. Isso é criatividade, mesmo que nos tentem enganar tantas vezes, oferecendo-nos vinho velho em odres novos. Os odres são bonitos, mas o conteúdo deles é o mesmo, vinho velho. A realidade é que as pessoas estão fartas do vinho que beberam ontem, elas querem um vinho novo, de aroma e gosto suave, mas intenso, que lhes provoque emoções, sensações, e não a indiferença do costume. É isso que é a criatividade, é tratar do odre e do vinho, é dar beleza, mas também dar conteúdo, é trazer o vinho bom para a frente. E por isso o criativo não é mais do que aquele que pinta de futuro o presente.

Porque criar é ver com outros olhos, com outros óculos, ver o que poucos viram, ou o que muitos acharam inexequível. É ver para lá da névoa e da dúvida, e vislumbrar uma beleza nunca antes vista. É conseguir ver mais do que apenas o imediato, as dificuldades, as impossibilidades, e projectar, numa tela por vezes baça, uma imagem que vai para lá da mesma tela, e que consegue captar a essência do que há de vir. É por isso que não raras vezes quem cria é incompreendido, é-o porque vê o que mais ninguém vê, e isso é considerado louco. Cria aquilo que vê para lá do nevoeiro.

Porque sem voltar ao centro, à forma, à 'musa' inicial, tudo isto que escrevi há-de desvanecer-se. Porque até hoje ainda só conheci uma pessoa, capaz de ir para lá do razoável e do imaginável, só conheci uma pessoa que consegue ver todo o mundo com outros olhos, só conheci uma pessoa capaz de trazer constantemente o futuro para hoje, convidando-nos a entrar nele dia após dia, após dia, após dia. Amigos criativos, é exactamente para Ele que devemos voltar...

Friday, March 12, 2010

I'm a Rock Star, Baby!

Rock Star é um conceito na moda há décadas. É um conceito ilusório de estrelato, realização e glamour difícil de explicar. Um conceito perseguido por milhares, apesar das histórias trágico-glamorosas que pontuam as estrelas que conhecemos. A realidade é que a maior parte de nós vive com a ilusão de um dia atingir esse conceito de imortalidade que caracteriza o estrelato. Uma imortalidade que nos leva a vivermos para lá da nossa existência terrena, mas que também nos leva a um sítio onde a nossa própria vivência terrestre se torna quase que intocável - ninguém nos 'toca', ninguém consegue chegar até nós. O porquê disto é uma pergunta a que poucos conseguiriam responder. Fama, dinheiro, sexo ou exposição mediática poderiam ser razões aparentes, mas não estou convencido que sejam a explicação de tudo. Por isso, entremos no mundo rock star...


Que desejo secreto é este?

Em primeiro lugar é um desejo de reconhecimento. Faz parte da nossa natureza. Nós, seres humanos, lutamos para sermos reconhecidos naquilo que fazemos, atingimos o ponto máximo da nossa existência quando alguém nos aponta como 'bons, excelentes, ou fantásticos' a fazer isto ou aquilo. O homem é um animal que precisa de reconhecimento, e precisa dele como se de pão para a boca se tratasse. Se eu faço x, então espero o reconhecimento y. Se eu faço bem, espero que haja reconhecimento nisso, e se for reconhecimento público, tanto melhor. E isso leva-nos ao segundo ponto...


É o nosso desejo de sermos superiores que vem ao de cima. Ao sermos reconhecidos publicamente, estamos a ser elevados sobre alguém, estamos a ser colocados em posição superior a a, b ou c. E isso faz-nos sentir tão bem...faz-nos sentir tão superiores. E vicia-nos. Após sermos reconhecidos publicamente, passamos a esperar secretamente que, sempre que há um reconhecimento, ele seja direccionado a nós, mesmo que até saibamos que houve quem fizesse mais que nós. Estranho? Nem por isso...


E a estranheza disto dilui-se numa simples razão: nós somos competitivos! Por mais que neguemos esse facto, só estamos bem em competição. Pela melhor piada, pelo melhor carro, pela melhor casa, pelo melhor emprego, pelo melhor ordenado. E pensamos que quem não pensa assim deve ser atrasado ou coisa que o valha! Gostamos de competição. Mais! Nós precisamos de competição! É por isso que produzimos mais e melhor quando temos quem esteja a fazer o mesmo trabalho. É o desejo secreto de batermos o nosso concorrente a trabalhar...


E a culpa talvez seja das luzes, essas marotas que nos fazem pensar que somos mais importantes do que o que somos na realidade, essas luzes que nos enganam e fazem de nós as rock stars que nunca fomos. E é essa ambição descarada de nos tornamos imortais, não no que fazemos, mas no nosso nome, que nos impele de forma tão gananciosa a procurar tal desiderato. Que fique claro: cada um de nós deve deixar uma marca que perdure, pelo bem, para lá da nossa vida. Mas que o que perdure seja a nossa obra e não o nosso nome. Se este perdurar no tempo, então que seja pela nossa obra, nada mais. Não deixemos que a 'bebedeira' de luzes nos encha o ego, sob pena de a 'ressaca' da nossa pseudo exposição (que, na maior parte das vezes, é irrelevante, convenhamos...) seja terrívelmente dolorosa.


E a culpa é (deixemos o talvez de lado) dessa ideia miticamente mística de que quanto mais inatingíveis estivermos, melhores somos, de que quanto menos do 'povo', mais importantes nos tornamos. Au contraire. Quanto mais próximos, chegados e dados às pessoas estivermos, mais perto dos seus problemas, anseios e motivações estaremos. Quanto mais próximos, chegados e dados às pessoas estivermos, mais próximos estaremos da solução. E todos sabemos que o mundo anda à procura de solução desde que se inventou. 

Por isso, políticos, líderes, responsáveis, chefes e afins...próximos das 'gentes', do 'povo', das pessoas...ok?

Friday, February 12, 2010

Mais Que Música 2010! Muito boas notícias...

Monday, February 1, 2010

Os cristianizadores morais compulsivos

É bonito e quase comovente. Reproduzem-se como se não houvesse amanhã. São o contrário da gente relevante acerca da qual ainda ontem falou o meu ‘patrão’ e amigo Mário Rui Boto. Chamar-lhes cristãos é elogioso, atendendo à sua conduta de comportamento. Não, não estou a falar dos homicidas, nem dos homossexuais, nem dos ateus. Estou a falar de uma raça crescente e assustadora. Há quem lhes chame fariseus. Há quem lhes chame moralizadores. Há quem lhes chame falsos. Há quem diga que são necessários. Eu prefiro chamar-lhes os cristianizadores morais compulsivos da sociedade.

Especialistas na análise de tudo o que se passa à volta, sabem ler e compreender todas as atitudes dos outros, fazendo sempre a sua crítica ‘construtiva’, fruto de uma leitura cristã ‘séria e independente’. Vêem tudo e todos como ninguém, lendo todos os sinais de decadência moral em que este mundo está a entrar. São particularmente especialistas nas questões morais do indivíduo, comentando cada acção menos feliz com uma superiodade própria de alguém a quem a santidade assenta que nem uma luva. Tudo é vergonha. Tudo é desgraça. Tudo é decadência moral. Nada é óptimo. Caminhamos decisivamente para o maior dos males.

Estes moralizadores gostam especialmente de sangue. Tudo o que soe a queda, tudo o que soe a erro crasso de alguém, tudo o que soe a ‘derramamento de sangue’ (sempre ‘espiritualmente falando’) tem a sua atenção e a sua intervenção. Comparo-as àquela malta que aparece nos acidentes de viação, aqueles grandes. Há pessoas a morrer ali naquela altura, mas a sua preocupação está virada para quem teve a culpa, quem errou, quem falhou, como se os paramédicos tivessem isso em consideração aquando do tratamento dos feridos.

Estes moralizadores tendem a transformar a igreja em não, tendem a levar a igreja para um ponto de isolamento da sociedade, porque consideram a mesma demasiado impura para poder albergar a mesma. Estes moralizadores apenas se contentam quando a igreja se torna um clube de seres moralmente superiores, deslocados da sociedade por evidente capacidade superior. O seu sonho é quase o mesma da maçonaria: um circuito fechado e iluminado de gente acima de toda a suspeita. Uau!

É tempo de aqueles que são cristãos (seguidores de Cristo) se levantarem, não contra estes moralizadores, mas a favor de uma sociedade que precisa do Evangelho hoje mais do que ontem, e amanhã mais do que hoje. A última coisa de que precisamos é de quem aponta os problemas, as falhas, os erros. Precisamos de mãos que levantem a mulher adúltera, precisamos de palavra para falar com a mulher samaritana, precisamos de braços que abracem o filho pródigo, precisamos da atenção do bom samaritano para com o próximo. Não precisamos de quem diga que eles estão mal. Disso eles sabem. Todos sabem. Do que precisamos é de mais de Cristo e menos desta amálgama pseudo-moralizadora em que muito querem tornar a Igreja.