Este Blog...

É fruto da maneira como vejo o mundo. Aceitam-se discordâncias e divergências, sempre dentro de uma lógica de boas maneiras, claro!

Sejam bem-vindos!

Monday, August 25, 2008

Ah, férias...

Podem servir para muita coisa. Recarregar baterias, descansar, meditar nos desafios futuros, avaliar aquilo que ficou para trás. Também podem servir apenas para ir à praia, ou à piscina, ou seja lá onde for que se vá, mas sem o stress do dia-a-dia.

As minhas terminaram. Não souberam a pouco. De facto, para o fim já me estavam a entediar. Mas fizeram-se e venho revigorado. Não digo que o descanso tenha sido por aí além, mas o sair da rotina faz-me sempre bem. O ritual de me levantar da cama, comprar o jornal, ir ao pão, tomar o pequeno almoço enquanto leio notícias fresquinhas, analisar o tempo e ver se vale a pena ir à praia, tudo isto são coisas só possíveis nas férias. É por isso que sabe tão bem. Mas ao fim de uma semana já cansa...ufa! O pão deixa de ser assim tão bom, as notícias parecem sempre as mesmas e o vento teima sempre em estragar o dia de praia...

Estas férias foram boas por isso. Não deu para chatear muito. Passagens em Lisboa (neste caso continuação em...), Albufeira e Esmoriz. Cada uma com as suas especificidades, cada uma com o seu sabor. Sinto-me novo e com forças para os ciclos que aí vêm. Sinto-me como um comboio desembestado, que ninguém consegue parar (prometi a mim mesmo que usaria, pelo menos uma vez a palavra desembestado num discurso sério. Missão cumprida!). Agarra que vem aí Setembro e a coisa vai aquecer! Graças a Deus...mais um dia a comer pãozinho fresco ao pequeno almoço e acho que dava em doido...

Monday, July 7, 2008

Simplicidade

Algures no caminho da vida o Homem foi perdendo a capacidade de ser simples, de ser directo, de dizer sim quando quer dizê-lo, de dizer não quando é caso disso. Algures no tempo o Homem criou o conceito do correcto, do aceitável, e criou tanta coisa à volta disso, o politicamente correcto, o socialmente aceitável, o razoável, etc, etc.

Algures no tempo perdeu-se a capacidade de ser dito aquilo que se pensa, só porque destoa ou porque não é assim 'tão correcto'. E depois vêm os equívocos. O casamento equivocado, as relações pais-filhos equivocadas, o equívoco próprio de não sabermos bem quem somos nem o que andamos aqui a fazer.

Algures no tempo perdeu-se a simplicidade. A capacidade de resolver aquilo que nos aparece sem grandes alaridos nem grandes ondas. A capacidade de dizer sim e não. A capacidade de trazer ao de cima aquilo que pensamos.

Algures no tempo perdeu-se a genuinidade. Que crime. Afinal aquilo que somos ainda é um dos nossos maiores tesouros.....ou será que não?

Thursday, June 5, 2008

O efeito Obama

Ao contrário da Europa, a democracia norte-americana lá vai dando sinais de pujança. À previsibilidade dos aliados europeus, os americanos vão respondendo com a força da surpresa, reforçada nos últimos meses com a ascensão política de Barack Obama.

Poucos se lembrarão a esta altura mas quando começou a corrida à presidência norte-americana ninguém ousava vaticinar um vitória de Obama no lado democrata. Se formos mais longe, percebemos também que ninguém vaticinava a vitória de McCain no outro lado da contenda. Mas foquemo-nos, por hoje, em Obama. Pelo seu discurso, por aquilo que representa, por ser o primeiro afro-americano a concorrer à presidência, Obama acaba por ser um valente sopro de novos ventos na lógica política. Não sei se estes 'ventos' chegarão à velha Europa, mas pelo menos trazem-nos um sinal de que nem sempre tudo corre como o previsto.

Creio que o maior desastre da democracia é quando esta perde o seu teor de imprevisibilidade. Tal como um campeonato em que o primeiro leva 20 pontos de avanço do segundo perde emoção, também a política tem na força da imprevisibilidade dos resultados um dos seus grandes aliados. Isso mobiliza as pessoas, fá-las lutar porque acreditam neste ou naquele projecto, mobiliza a opinião pública, cada vez mais regida pela emoção do que pela razão. Creio que, entre outras coisa, esta falta desta lógica de imprevisibilidade que tem contribuído para a descredibilização do sistema político europeu, do qual as mais recentes crises sociais do Sul e Centro são apenas um resultado e reflexo óbvio.

Confesso que encontro paralelo com a recente situação de Passos Coelho no PSD. O seu discurso representa uma espécie de experiência de uma corrente Obamista na Europa. Não venceu mas marcou pontos e terreno. Pela época em que apareceu será sempre colado a esta nova lógica política. A realidade é que a política e a sociedade precisam desesperadamente de mudança, pelo é normal que um discurso virado para essa mudança seja refrescante e uma lufada de ar fresco no já desgastado sistema social e político europeu.

Agora, resta-nos esperar. Enquanto portugueses e enquanto europeus. Esperar que, mais do que o discurso, possamos ver acções de mudança. Porque, segundo me parece, de discursos anda o povo farto...

Wednesday, June 4, 2008

Um País preso por arames

Portugal é um país único. Talvez fosse boa ideia algum especialista estrangeiro estudar um pouco o nosso país e perceber o porquê de tanto fenómeno estranho que ocorre por estas bandas. Falo a nível social, político, económico e, mais importante que tudo isto, falo da mentalidade do português médio.

Ponto prévio: sou portuguesíssimo, de nascença e criação. Gosto do meu país. Talvez por isso algumas destas coisas me entristeçam tanto. Vejamos se algumas destas coisas não são absolutamente caricatas (para ser simpático):
  • O governo prevê a inflação a 2,2% e dá aumentos dessa ordem. O povo, há largos anos a perder poder de compra não percebe porquê, mas também não diz nada. Mas vêm 100 mil professores para as ruas porque não querem ser avaliados. Faz sentido. É preferível ganhar pouco uma vida inteira do que ganhar mais mas arriscar ser despedido porque se é incompetente. Bom, a inflação já vai bem acima dos 2,2%, mas ninguém se preocupa. Mais um ano a perder poder de compra. Tudo vai bem, tudo vai óptimo.
  • O povo. O povo queixa-se. Dia sim, dia sim. O que faz? Pouco. A produtividade é baixa, os salários condizentes. Reclamamos direitos mas não cumprimos os deveres. Afinal, o dinheiro é pouco para comprar aquele plasma que tanta falta faz para ver o Euro. Os chamados bens de primeira necessidade. E o povo continua a queixar-se. Mas também continua a ir de transporte próprio para o emprego, mesmo quando tem transporte público à porta de casa e do trabalho. Mas queixa-se que a gasolina está que não se pode. Mas o plasma, esse, não falha. Parece que a loja entrega até dia 7. E é bom que apareçam antes das 17h , porque o povo quer ver a abertura do Euro. Esse fantástico Suiça-Rep.Checa. Onde? Na SportTv, claro!
  • Os políticos. Uns são bons, outros nem tanto. Uns são competentes, outros são o contrário. Tal como em qualquer outra actividade. Os políticos. Avessos à mudança. Afinal a mudança é desconfortável e o povo manifesta-se na rua sempre que há sinais dela. Porquê? Ninguém sabe. Mas todos sabem que isso custa votos. Os políticos. Como disse Cavaco quando Santana era primeiro, os competentes devem afastar os incompetentes. Será? Bom, enquanto o povo continuar a preferir a demagogia à verdade e o espectáculo à eficiência será difícil. Quando Santana, depois do que fez no país e no PSD, ainda obtém 30% dos votos de militantes do seu partido, parece-me que algo vai mal. Prefiro a crua verdade de Ferreira Leite (ao menos ninguém é enganado. Não podemos baixar impostos, ponto!) ou o discurso renovador e fresco de Passos Coelho (num estilo de Obama português...). Os políticos. Ao menos Manuel Alegre não engana ninguém, diz o que pensa, mesmo que seja em conjunto com os seus 'amigos' do BE. Trouxe o tema da igualdade social ao topo da actualidade, em vez da subida dos combustíveis. Está na hora. Novos ricos, há cada vez menos. Já novos pobres vão surgindo todos os dias....
  • O ópio. Papel que encaixa perfeitamente ao futebol. O Porto excluído da Champions abre o Telejornal. A pobreza no país, o excessivo endividamento das famílias portuguesas, a desigualdade social que grassa por estas bandas, tudo isso é secundário. O facto do Porto perder a participação na Champions é que é grave. Ou isso ou as últimas do treino da selecção. Por falar nisso, já repararam que os treinos da selecção são transmitidos em directo pela televisão? Traço de terceiro mundo que nem ouso comentar... O ópio. Sabe bem ao início, faz-nos alhear da realidade e parecer que tudo está bem. Mas quando acaba o efeito causa valente dor de cabeça. Estou para ver a depressão em que o país estará por alturas do fim do Euro. E se formos campeões (Deus queira que sejamos, ao menos animava isto um bocadinho...), apenas adiamos a dor uns quantos dias.
O país preso por arames. Tipo marionetas. O que chateia? Esta inércia do povo...esta tremenda inércia do povo. Fiquemos por aqui...

Tuesday, May 13, 2008

A Jornada

Afinal, caminhamos para onde????


Muitas vezes pergunto a mim próprio para onde caminho, para onde estou direccionado nesta jornada de vida....muitas vezes consigo chegar a conclusões, outras nem por isso, mas a realidade é que este exercício é indispensável.

Há alguns meses atrás ouvi uma frase muito interessante que muito me fez pensar. Dizia que 'aquilo que perseguimos define aquilo que somos'. Bom, isto fez-me pensar no que persigo, e porque o persigo. E se calhar fez-me pensar mais nesta segunda variante (o porquê) do que na primeira. Isto porque, honestamente, parece-me muito mais perigoso o 'porquê' do que o 'o quê'. Porque persigo isto, porque quero aquilo, porque desejo x ou y.

A vida é uma jornada. Acertamos umas vezes, erramos outras, metemos água ali, safamo-nos acolá. É uma aprendizagem. É importante o que fazemos, sem dúvida. Mas não deixa de ser importante o porquê de o fazermos (para mim até mais importante...).

Porquê? O que me motiva? Coloco-me perante esta questão quase todos os dias. Uma vezes fico tranquilo, outras fico assustado, mas este exercício lá me vai ajudando a manter a minha cabeça no sítio e o meu coração alinhado. Porque o porquê leva-me sempre de volta à casa de partida, ao meu momento de pequenez e percepção do carácter finito e limitado do ser humano. E nada como isso para percebermos, afinal de contas, porquê..........