Friday, February 1, 2008
E quando nem tudo vai bem???
Na realidade, é difícil aplicarmos muitas das coisas que afirmamos quando as coisas não correm bem connosco próprios. Como que, instintivamente, vamos começando a pensar que à medida que as vamos estudando e falando acerca delas ficamos como que imunes ao seu efeito. Isso não corresponde à verdade. A realidade é que é nestas situações (quando nem tudo vai bem...) que se apresentam os maiores desafios à nossa vida.
Ciclicamente, a nossa vida tem altos, baixos, fases calmas, fases turbulentas, fases exuberantes, fases discretas, fases boas, fases más. Isso é inegável. Como lidamos com as fases boas é importante (e se calhar tema para abordar no futuro...veremos...), mas hoje o meu pensamento está direccionado para as fases menos boas.
De que forma lidamos com elas? Qual a nossa atitude perante essas fases menos boas? O que as provoca? Será que estamos preparados para tomar decisões importantes, de choque, de ruptura, quando estamos no meio da tempestade (que é quando elas são mais necessárias, mas também mais dolorosas...)?
Não vou responder a muitas perguntas, mas parece-me que é indispensável uma dose de alguns ingredientes nesta 'panela'...
-Coragem - Tomar decisões em momentos difíceis e desconfortáveis necessita, acima de tudo, de grande dose de coragem...
-Determinação - Nem tudo muda à primeira investida, à primeira tentativa. Muitas vezes o complicado é continuar a tentar, continuar à procura...
-Persistência - Não desistir é difícil, mas também é a diferença entre uma vitória inesquecível e uma derrota dolorosa;
-Continuar a Olhar para os nossos objectivos - Numa maratona, o maratonista sofre. Mas o facto de olhar para o objectivo final, para o prémio, para aquilo que está à sua frente, é o ânimo para continuar a ultrapassar o sofrimento;
Tudo isto são pequenos contributos nos quais tento também eu pensar quando as coisas correm menos bem. É verdade, nem sempre, conseguimos ficar focados apenas neles, mas que eles nos ajudem a dar a volta a um momento menos bom. Porque afinal de contas...o melhor está para vir!
Monday, January 14, 2008
A Opinião e a Cultura
Conrad Hilton, director da conhecida cadeia de hotéis Hilton disse um dia que ''O sucesso parece estar ligado à acção. Pessoas bem sucedidas mantêm-se activas. Elas cometem erros, mas não desistem''. Eis uma frase interessante e que merece que pensemos acerca dela. A mim, isto sugere-me algo simples. Acção é chave. Aquele que age, multiplica as suas possibilidades de sucesso. Não quer dizer que não falhe. Não quer dizer que não erre. Mas a realidade é que faz. E quem faz, tem sempre uma maior probabilidade de fazer bem do que quem não faz!
Creio que a tendência actual, de sobrevalorização da opinião e subvalorização da acção, deve ser invertida. Devemos dar mais valor a quem age do que a quem opina. Devemos dar mais 'tempo de antena' a quem faz, do que a quem critica. Isto quer dizer que a opinião não tem lugar? Não, nada disso...Apenas quer dizer que quem age tem um posicionamento diferente e, regra geral, melhor acerca das coisas.
Vejamos alguma coisa prática. O nosso carro, por exemplo. Imagine que o carro está a fazer um barulho estranho. Imagine que tem 2 amigos que são mecânicos, ambos competentes. Liga ao primeiro, explica o barulho. Este faz-lhe um diagnóstico do mesmo, segundo a sua explicação. Não podendo levar o carro ao primeiro mecânico, e sabendo que o 2º amigo tem a sua oficina perto da sua casa, decide levar lá o carro. Este vê, observa, mexe, dá uma volta com o carro para ouvir ele mesmo o barulho. Chega a uma conclusão. Diferente da do primeiro mecânico. Lembre-se que considera os 2 competentes (nunca teve razões de queixa...). Em que diagnóstico confia? No segundo. Porquê? Porque o segundo teve a acção e a experiência de ver, ele próprio, qual o problema do carro. O primeiro limitou-se a fazer um diagnóstico por fora, segundo os elementos que tinha. Quem age tem sempre mais dados do que quem apenas opina. Porquê? Porque está dentro da situação. Pode falhar? Com certeza. Mas as probabilidades de isso acontecer serão, certamente, menores.
Devemos lutar pela informação, pelo conhecimento, pela expressão da opinião. Mas não devemos sobrepor isso à acção. Porque se a opinião é o alarme da sociedade, a acção é o combustível da mesma. E todos sabemos que, sem alarme, avançamos. Sem combustível, não.
Wednesday, November 28, 2007
Obsessões Aeroportuárias....
Deixando de lado o fanatismo, tentando ser simples na análise, parece-me mais ou menos óbvio que Lisboa precisa de uma nova estrutura. Também me parece óbvio que a discussão deve ser centrada em duas premissas fundamentais: localização e solução de operacionalidade. A primeira porque é óbvio que o Aeroporto deve ser feito num local estudado de uma forma prévia, séria e profunda. Parece-me, sinceramente que a discussão até há algumas semanas tinham sido pouco mais que superficial e baseada em coisas muito pouco importantes. A segunda, solução de operacionalidade, vai de encontro com a aquilo que hoje veio a público. É justificável a construção de raiz e a médio prazo de um mega-aeroporto? Ou valerá mais a pena a solução do Portela+1, com a construção modular desse segundo aeroporto (o que o tornaria significativamente mais barato e mais flexível à exigências do mercado, segundo dizem...), até ao progressivo desmantelamento da Portela e finalização, então sim, numa perspectiva de longo-prazo, do tal mega-aeroporto?
Ouvi hoje Rui Moreira, o presidente da Associação de Comércio do Porto, dizer muitas coisas acertadas, lógicas e sem fundamentalismos bacocos. Gostei, muito sinceramente... e parece-me que o contributo que ele está a dar para o processo, juntamente com a CIP, e, provavelmente, com o LNEC, serão contributos a que o país deve estar atento para que não sejam cometidos erros gigantescos, como em Atenas ou em Montreal...e se nunca viram estes exemplos, vejam bem o que lá se passou...devemos aproveitar e evitar esses erros....
Deixemo-nos de fanatismos e obsessões aeroportuárias...vamos discutir clara e frontalmente do que se trata, e chegar à melhor decisão. Não hipotequemos o futuro do país...
Tuesday, November 6, 2007
Palavra-Chave: Edificar
''Edificar. Uma palavra que representa um desafio a cada um de nós. Sermos edificadores! Perante este desafio a pergunta torna-se simples: porquê e como edificar?
Centremo-nos no que diz Paulo: ‘(…) a autoridade que o Senhor nos deu é para vos edificar, e não para vos abater (…)’*. Na realidade, este pequeno excerto mostra-nos o porquê! O poder de edificação de algo está nas nossas mãos e foi-nos confiado para que o possamos usar.
De facto, o ser humano tem uma clara necessidade de sentir que contribui para a edificação de algo. O poder que nos é confiado no dia-a-dia, é o de sermos pólos de edificação de causas comuns e de vidas individuais. A verdade é que, durante muitos anos, a Humanidade negligenciou o poder que a edificação contém em si mesma, o poder de edificar causas comuns, o poder de edificar vidas, famílias e lares! É tempo de assumirmos a nossa responsabilidade perante a sociedade de sermos claros edificadores!
Uma pergunta mantém-se: como edificar? A resposta pode ser encontrada num outro pequeno excerto da Bíblia: ‘(…) subi ao monte, trazei madeira e edificai a casa (…)#’. A edificação depende de 2 decisões individuais: Esforço (subi ao monte); providenciar condições para edificarmos (trazei madeira). Edificarmos algo implica esforçarmo-nos por isso, colocarmos nisso o nosso empenho, coração e tempo. Implica, também, providenciarmos condições. Se queremos edificar relacionamentos, então temos de providenciar amor e amizade, não podemos esperar que a esses sentimentos venham de um outro qualquer lugar. Se queremos ser edificadores de vidas, temos de nos aproximar daqueles que necessitam e termos a preocupação de os edificar, dando-lhes a realidade de um futuro melhor, baseado no amor de Jesus por nós!
Lanço o desafio a cada um de nós, edifiquemos a vida daqueles que nos rodeiam, unamo-nos no sentido de edificar causas comuns nesta sociedade, defendendo valores que Cristo nos confiou. E que sejamos, no nosso dia-a-dia, verdadeiros edificadores!''
* - Em ‘O Livro, A Bíblia Para Hoje’, II Coríntios 13:10
# - em ‘Bíblia Shedd’, Ageu 1:8
Thursday, October 18, 2007
Desonestidade Moral.....
Mas não deixa de me causar uma enorme estranheza que o Público de hoje traga uma notícia que representa uma forma de actuação tão distinta quanto incoerente. Se não acreditam, reparem...
Cabeçalho da página 12 do Jornal Público de hoje, 18 Outubro de 2007: ''Ministério obriga Ordem dos Médicos a adaptar Código Deontológico à lei do aborto (...)''.
Não querendo assumir qualquer tipo de partido por qualquer lado político da contenda, a mim nunca me deixou de fazer confusão uma determinada lógica que o actual Ministério da Saúde tem levado a cabo desde início do seu mandato. Fechamos hospitais, dispensamos enfermeiros (ainda hoje no Telejornal se pôde ver isso...), fechamos centros de saúde, continuamos sem uma política de rejuvenescimento dos quadros clínicos portugueses, continuamos no obscurantismo no que toca ao relacionamento entre o público e o privado...enfim, ao longo destes dois anos e meio, a maior parte das medidas do Ministério são pesadas numa balança economicista, que, sem ser especializado na área, nem de perto, me parece que nem sempre obedece a critérios que deveriam ser o centro de um Ministério da Saúde: a proximidade, a qualidade e a garantia de que a saúde é um direito de todos (se não querem que seja removam essa parte da constituição...).
Espanta-me que o Estado esteja a financiar em grande percentagem abortos (se não estou em erro, estima-se que cada aborto custe entre 2500€ e 3000€ ao Estado, sendo que o valor que se paga é bem inferior a esse...), ao mesmo tempo que torna os verdadeiros cuidados de saúde mais caros a quem deles tem de beneficiar. Também não deixa de me causar espanto a rapidez, prontidão e firmeza com que o Ministério da Saúde trata de tudo o que tem a ver com o aborto e com causas economicistas, ao mesmo tempo que revela um silêncio ensurdecedor em relação a outros casos. Casos como o das já famosas juntas médicas da Caixa Geral das Aposentações, que, estando directamente ligado ao Ministério das Finanças, não deixa de ser uma questão de saúde (estarei assim tão enganado...?)...ora, saúde, que eu me lembre é uma responsabilidade de quem? Do Ministério da Saúde, pois claro....
A mim parece-me incoerência, desonestidade moral e uma terrível incapacidade de discernir a prioridade do acessório.
A mim parece-me que estas decisões terão sempre outras variantes, as quais, infelizmente, nunca nos chegarão ao conhecimento....é pena...a nossa saúde merecia melhor tratamento.....